segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Trotskismo, parte 2


"Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam 'maduras' para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer. Sem a vitória da revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada de ser conduzida a uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária." (León Trotsky, O programa de transição)


A pregação trotskista em torno de uma suposta "crise de direção" do movimento operário, onde a ausência de uma revolução socialista internacional se deve ao fato das direções operárias estarem nas mãos de stalinistas e social-democratas, demonstra claramente o caráter voluntarista tipico dos esquerdistas. Segundo o argumento deles, a revolução socialista é possível ou não devido a questões subjetivas, ou seja, devido a direção dos movimentos operários e populares.

Oras, porque então os sindicatos e entidades estudantis dirigidas por trotskistas, como é o caso da CSP-CONLUTAS e da ANEL, não conseguem promover nenhuma mobilização de caráter revolucionário??? O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é filiado a CSP-CONLUTAS, mas qual grande mobilização consegue realizar??? Aqui no Rio, o SEPE(Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação) é dirigido pelo PSTU e por correntes trotskistas do PSOL, mas não consegue organizar uma greve bem sucedida dos professores, apesar dos baixos salários da categoria.

O mais engraçado é que apesar de nunca terem dirigido revolução alguma, os trotskistas se declaram os "únicos herdeiros" do marxismo revolucionário.

Na verdade, trotskismo e stalinismo são "farinha do mesmo saco". Apesar de ser anti-stalinista, o trotskismo também defende as mesmas políticas totalitárias que Stalin imprementou a partir de 1929. O bolchevique Leon Trotsky já defendia em 1920, a militarização do trabalho e a estatização dos sindicatos, assim como uma política de industrialização acelerada baseada na expropriação do campesinato. As teses defendidas por Trotsky foram duramente criticadas por Lenin e derrotadas no congresso do Partido Bolchevique, onde foi aprovada a Nova Política Economica(NEP), proposta por Lenin. A NEP foi uma espécie de recuo estratégico, pois como disse Lenin, é preciso dar um passo atrás para depois se dar dois passos adiante.

"A discussão em torno do papel do Estado, sua relação com os sindicatos, a autonomia da classe operária, nada disso fora palavrório oco. Lênin, com a NEP, propunha agora um outro caminho, com maior liberdade para a cidade e o campo, recuperando o papel do mercado, compreendendo que o capitalismo ainda tinha fôlego para se desenvolver numa sociedade que ele acreditava estar caminhando para o socialismo. Trotsky tinha outra visão, que mais tarde, ironicamente, será integralmente adotada por seu mais visceral inimigo, Stalin. Está certo Deutscher quando afirma não haver praticamente nenhum aspecto do programa sugerido por Trotsky em 1920-21 que Stalin não tenha usado durante a industrialização acelerada da década de 1930. Adotou o recrutamento forçado, subordinou os sindicatos, estimulou a disputa de produção entre os trabalhadores, na linha do taylorismo soviético defendido por Trotsky."

(Emiliano José; em "Trotsky: do pomar para a Revolução")

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