segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Os trotskistas do PSTU


O PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, é o principal representante do trotskismo em nosso país. Nas eleições presidenciais de 2010, lançaram a candidatura do sindicalista José Maria de Almeida para presidente. Foi uma candidatura de extrema-esquerda, que ficou em sexto lugar com 0,08% dos votos.

Como todo trotskista, o pessoal do PSTU acredita que a revolução socialista é iminente. Essa revolução está na "próxima esquina", esperando por eles, os "iluminados guias do proletariado" para lidera-la. Vejam o que Zé Maria, presidente do partido, disse em entrevista a revista Veja no ano passado:

"O lider do PSTU, José Maria de Almeida, foi candidato duas vezes a presidente da República. Em 1998, teve 0,30% dos votos. Em 2002, alcançou 0,47%. Zé Maria não se preocupa com essa falta de mais-valia nas urnas: "O importante é a revolução. Ela está chegando, e nós estamos preparados. Haverá uma insurreição do povo. Vamos derrubar o governo e mudar o regime".
Uma revolução no Brasil? "É isso mesmo. Nos últimos anos houve conflagrações no Equador, na Argentina e na Bolívia. Eles só continuam capitalistas porque quando o povo foi para as ruas não havia partidos capazes de guiar a transição para o socialismo. Esse será o nosso papel quando a hora chegar", acrescenta um Zé Maria animadíssimo."

Zé Maria e seus camaradas do PSTU, se esquecem que a CSP-CONLUTAS(braço sindical do partido), dirige o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o ANDES SN(Associação Nacional dos Docentes no Ensino Superior - Sindicato Nacional), assim como participa da direção do SEPE(Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), aqui no Rio. E qual grande mobilização esses sindicatos realizam??? Qual mobilização de caráter revolucionário a CSP-CONLUTAS, ou as entidades estudantis dirigidas pela PSTU conseguem realizar para acreditarmos que a revolução socialista é mesmo iminente??? Nem mesmo uma bem sucedida greve de professores eles conseguiram organizar, apesar dos baixos salários do governo Sérgio Cabral, que ainda por cima parcelou em seis anos o pagamento do "nova escola" aos professores. Isso demonstra que não existe nenhuma revolução iminente.

E como eu havia dito, nas eleições presidenciais de 2010, Zé Maria teve apenas 0,08% dos votos, ficando atrás até mesmo do candidato conservador José Maria Eymael(PSDC - Partido Social Democrata Cristão), que ficou em quinto lugar com 0,09% dos votos.

Zé Maria também se esquece que na Argentina, além do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, "seita" trotskista filiada a mesma Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional, do qual o PSTU também faz parte, existem diversos outros partidos e grupos trotskistas, como o Partido dos Trabalhadores ao Socialismo, Partido Operário, Movimento ao Socialismo, Movimento Socialista dos Trabalhadores, etc. Porque eles não lideraram a revolução socialista por lá, se as mobilizações que ocorreram possibiltava que isso ocorresse??? Na Bolívia, existe o Movimento Socialista dos Trabalhadores(filiado a Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional, do qual o PSTU é o principal representante), o Partido Operário Revolucionário, e outras "seitas" trotskistas. Se a revolução é iminente, porque eles ainda não a realizaram por lá???

Qual a influência dos trotskistas na Argentina e na Bolívia??? A resposta é praticamente nenhuma, pois assim como aqui, vivem brigando entre si e promovendo políticas sectarias e esquerdistas que os afastam das massas populares. O mesmo acontece na Europa. Na França, o sectarismo do Partido Operário Independente e da Luta Operária, os jogam no gueto. O mesmo acontece na Itália, onde o sectarismo do Partido Comunista dos Trabalhadores e do Partido da Alternativa Comunista, é ainda maior. Ninguém faz revolução com um sectarismo tão doentio.

Os trotskistas não percebem que a realidade das sociedades capitalistas desenvolvidas é bem diferente da realidade da Rússia de 1917. Naquela sociedade semi-feudal, o poder estava concentrado no Palácio de Inverno, portanto bastava ataca-lo para se tomar o poder. Nas sociedades capitalistas desenvolvidas, o poder não está concentrado nos palácios. Encontra-se disperso pela sociedade, pois o capitalismo não se mantem apenas pela coerção, mas também pelo consenso. A esquerda deve disputar a hegemonia na sociedade, antes de pensar em tomar o poder. Os trotskistas não percebem isso e continuam achando que convocando greves em assembléias esvaziadas, convocando manifestações com o uso de palavras de ordem dogmaticas contra o capitalismo, vão conseguir realizar alguma revolução.

O filósofo e revolucionário italiano Antonio Gramsci, que na minha opinião é o maior teórico do comunismo depois do próprio Marx e de Engels, reinterpretou o marxismo-leninismo segundo a realidade das sociedades capitalistas desenvolvidas(as sociedades do tipo "Ocidental", usando a expressão do próprio Gramsci), e assim formulou uma alternativa real ao stalinismo. Gramsci foi o primeiro teórico marxista a refletir sobre a questão do consenso, formulando a teoria sobre a revolução socialista no mundo capitalista desenvolvido, uma revolução que arde em 'fogo lento', onde a disputa da hegemonia na sociedade é fundamental.

"[...] no Ocidente, onde a 'sociedade civil' é extremamente articulada com a proteção do 'Estado político', a luta será longa, será uma enervante 'guerra de posição' [...]. É preciso aprender todos os métodos mais elaborados dos adversários, não deixar-se surpreender despreparados ou atrasados nessa revolução que arde em 'fogo lento', abandonar o primitivismo econômico e mecanicista precedente e desenvolver a capacidade de previsão e de guia dos acontecimentos, chamando os intelectuais para colaborar com tal empreendimento histórico e colmatando continuamente as distâncias que se formam entre as linhas estratégicas dos vértices e a capacidade de compreensão e de recepção da base." (Antonio Gramsci)

Fica claro que não podemos buscar no trotskismo, a alternativa para a construção de um socialismo renovado, sem os desvios promovidos pelo stalinismo. A alternativa eu acredito existir na obra de Antonio Gramsci, que não se deixou contaminar pelo esquerdismo(a doença infantil do comunismo), muito menos pelo dogmatismo.

"Distinguindo-se dos social-democratas que se opuseram à revolução bolchevique e à União Soviética (Kautsky, Bernstein e tantos outros), Gramsci - tal como Rosa Luxemburg -- defende a necessidade da revolução e se solidariza, ainda que criticamente, com seus primeiros passos. Mas, ao mesmo tempo, dissocia-se claramente dos rumos que a União Soviética começou a tomar a partir dos anos 30, quando a estatolatria se tornou "fanatismo teórico" e converteu-se em algo "perpétuo", consolidando assim um "governo dos funcionários" que, ao reprimir a sociedade civil e as possibilidades do autogoverno democrático dos cidadãos, gerou um despotismo burocrático que nada tinha a ver com os ideais emancipadores e libertários do socialismo marxista. (...)

...Gramsci nos propõe um outro modelo de socialismo, um modelo no qual o centro da nova ordem deve residir não no fortalecimento do Estado, mas sim na ampliação da "sociedade civil", de um espaço público não estatal. Na "sociedade regulada" - o belo pseudônimo que encontrou para designar o comunismo --, Gramsci supõe (e volto a citá-lo) que "o elemento Estado-coerção pode ser imaginado como capaz de se ir exaurindo à medida que se afirmam elementos cada vez mais numerosos de sociedade regulada (ou Estado-ético, ou sociedade civil)". Ora, como se sabe, as instituições próprias da sociedade civil são o que Gramsci chama de "aparelhos ''privados'' de hegemonia", aos quais se adere consensualmente; e é precisamente essa adesão consensual o que os distingue dos aparelhos estatais, do "governo dos funcionários", que impõem suas decisões coercitivamente, de cima para baixo. Portanto, afirmar "elementos cada vez mais numerosos" de sociedade civil significa ampliar progressivamente o âmbito de atuação do consenso, ou seja, de uma esfera pública intersubjetivamente construída, fazendo assim com que as interações sociais percam cada vez mais seu caráter coercitivo."

(Carlos Nelson Coutinho; em "Atualidade de Gramsci")


A partir das reflexões de Gramsci é possível desenvolver um conceito democrático de socialismo, fundado no consenso e não somente na coerção, promovendo assim a verdadeira superação do stalinismo, refundando o marxismo segundo a realidade da luta de classes no século XXI.

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