A Revolução Russa de 1917, foi a primeira revolução socialista da história. Promoveu a transformação radical da sociedade russa, desapropriando a burguesia, realizando uma reforma agrária radical e a abolição do mercado, com a economia sendo planificada pelo Estado proletário. A desigualdade social praticamente chegou ao fim, apesar da destruição causada pela guerra civil. Inclusive homens e mulheres passaram a ter os mesmos direitos e deveres(incluindo os homossexuais), acabando assim com a discriminação sexual.
"A Revolução Russa eliminou todas as leis czaristas que reprimiam a homossexualidade e que eram 'contraditórias com a consciência e a legalidade revolucionária'. Em 1923, um renomado médico de Moscou aprovava um novo código legal dizendo: 'A legislação soviética se baseia no seguinte principio: declara uma total ausência de interferência do estado e da sociedade nos assuntos sexuais, sempre e quando não sejam afetados os interesses de nenhuma outra pessoa'”. (Andrea D`Atri; em "O socialismo e a questão homossexual")
Entretanto o socialismo soviético acabou sofrendo uma grave degeneração, após Josef Stalin afastar seus adversários e assumir o poder absoluto no final dos anos 20, estabelecendo uma ditadura totalitaria responsável pela morte de cerca de 20 milhões de soviéticos. Esse regime arbitrário e burocrático, longe de acabar com a exploração do homem pelo homem, resultou no surgimento de uma casta privilegiada de burocratas que agia como uma nova classe dominante, oprimindo o proletariado e o campesinato. Até mesmo os homossexuais começaram a ser perseguidos, como supostos "agentes da contra-revolução burguesa". Isso acabou resultando no colapso do regime socialista no final dos anos 80.
Após a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, os soviéticos exportaram o socialismo para os países do Leste Europeu, estabelecendo ditaduras stalinistas que transformaram essa região em uma espécie de "quintal da URSS", oprimindo os povos desses países. Essas ditaduras impostas pelos soviéticos, acabaram vindo abaixo entre 1989 e 1990.
"Um olhar retrospectivo sobre o século passado não pode se omitir sobre o trágico legado do stalinismo. A esquerda em especial não tem o direito de ignorá-lo. Tal herança pesa como um fardo sobre ela, mesmo já havendo uma alentada produção teórica de condenação dos anos em que Stalin esteve à frente da URSS, principalmente após o final dos anos 20 e até sua morte, em 1953. (...)
Para a esquerda, é necessário resistir à tentação de refugiar-se num tempo de ouro, na nostalgia de um tempo feliz, que não existiu, ao contrário. O stalinismo foi um tempo de terror, de esmagamento dos adversários pela violência, marcado pela ausência da política, ao menos se esta for entendida como o reino da liberdade, e não da força bruta.
O stalinismo foi a maior tragédia do povo russo e de todo o povo do Leste Europeu, afora as guerras. Não podemos mais ter receio de afirmar isso. Havia um temor de que isso parecesse diminuir o mérito da resistência do povo soviético ao nazismo. Não diminui. Os vestígios de stalinismo, indícios que sejam, são nefastos, atentados a qualquer idéia de vida democrática." (Emiliano José; O stalinismo e sua trágica herança)
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