Quando o capitalismo surgiu no século XVIII, não era nem um pouco democrático. O voto era censitário, ou seja, apenas quem pagava impostos e possuia propriedades é que podia votar. E apenas os homens podiam votar. Estavam excluidos portanto, os trabalhadores e as mulheres. Os trabalhadores viviam em estado de semi-escravidão, com jornada de trabalho de até 16 horas diárias, com baixos salários que mal garantiam o mínimo para sobreviver, e pessimas condições de trabalho. Não havia férias, aposentadoria, ou qualquer direito trabalhista. O trabalho infantil era comum e a questão social considerada caso de policia. Havia portanto uma verdadeira "ditadura da burguesia".
Foi diante essa realidade que os filósofos e revolucionários alemães Karl Marx e Friedrich Engels escreveram o "Manifesto do Partido Comunista", em dezembro de 1847, e publicado dois meses depois. Afirmando que a luta de classes é o motor que move a história, Marx e Engels defendem a tomada do poder pelos trabalhadores, destruindo o capitalismo e construindo o socialismo.
Se o capitalismo se democratizou a partir da segunda metade do século XIX, com os trabalhadores conquistando o direito de greve e a legalização dos sindicatos, assim como a redução da jornada de trabalho para 10 horas diárias, com melhores condições de trabalho e salário, e com a conquista de direitos trabalhistas como férias remuneradas, aposentadoria e salário mínimo, assim como o estabelecimento do voto universal para todos os homens adultos alfabetizados, e a legalização dos partidos operários, com toda certeza foi graças a luta do movimento socialista organizado pelos comunistas e também pelos anarquistas.
Os anarquistas se diferenciam dos comunistas por não considerarem a luta de classes como o único motor que move a história, mas sim como um dos motores, sendo o principal a luta contra qualquer forma de poder. Por isso defendem a destruição do Estado logo após a vitória da revolução, sem nenhuma fase intermediária, como defendem os comunistas. E mais, defendem a abolição do mercado logo após a vitória da revolução, assim como combatem a religião. Mikhail Bakunin e Proudhon são os principais teóricos do anarquismo, também conhecido como socialismo libertário.
E a luta do movimento socialista ao longo do século XX, permitiu uma maior democratização do capitalismo, com a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, a conquista do voto feminino, a criminalização do trabalho infantil e uma efetiva participação popular na política. Se hoje vivemos em uma sociedade democrática, foi graças a luta de comunistas e anarquistas contra a exploração capitalista. Esses fatos já demonstram a importância do socialismo para a humanidade.
A fracassada experiência socialista na URSS e no Leste Europeu, teve a importância histórica de representar uma alternativa de sociedade pós-capitalista, onde se buscava acabar com a exploração do homem pelo homem. Apesar dos crimes promovidos durante a era stalinista, o socialismo foi capaz de transformar um país agrário semi-feudal, como era a Rússia dos czares, em uma superpotência industrial e militar que ameaçou a hegemonia mundial dos EUA, inclusive promovendo o início da exploração espacial ao lançar o primeiro satélite(Sputnik), em 1957, e colocar o primeiro homem no espaço(Yuri Gagarin), em 1961. E a China tornou-se a potência que é hoje, graças a vitória da revolução socialista em 1949.
No tempo atual
Os trabalhadores não sofrem mais a exclusão política dos tempos de Marx, pois o voto é universal e os trabalhadores possuem partidos e sindicatos que defendem sua causa. Os trabalhadores também conquistaram direitos, como jornada de trabalho diária de oito horas, férias remuneradas de trinta dias, condições humanas de trabalho e melhores salários, que permitiram a "democratização do capitalismo", com o proletariado deixando de ser os semi-escravos dos tempos em que foi escrito o Manifesto Comunista. Mas não podemos nos iludir, a exploração capitalista continua existindo, inclusive com proporções desumanas em muitas regiões do planeta, como ocorre na África e grande parte da Ásia, por exemplo.
O socialismo autoritário e burocratico felizmente está morto. Cabe a esquerda abandonar essa herança e resgatar o melhor do pensamento marxista, refundando o socialismo segundo a realidade da luta de classes no século XXI. Precisa ser um socialismo radicalmente democrático, livre de tentações dogmaticas e comprometido com a luta em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento autossustentável.
O socialismo renovado é o único caminho para trilharmos outro caminho que não seja o da barbárie.
Nenhum comentário:
Postar um comentário