segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Saiba o que é o capitalismo
Apesar de todas as conquistas obtidas pelos trabalhadores, após mais de um século de luta contra os capitalistas, o sistema capitalista continua sendo perverso. A atual crise econômica que afeta a Europa e os EUA, demonstra isso claramente. Em nome dos direitos de grandes empresários e banqueiros, os governos cortam direitos trabalhistas, arrochando salários, e aumentando a idade para a aposentadoria. Ao mesmo tempo, continua a espoliação dos países pobres, em especial no continente africano e no sudeste asiático. Pelo petróleo, os EUA e o Reino Unido invadiram o Iraque, e agora bombardearam a Líbia sobre falso pretexto de defender a população civil desse país, com os rebeldes armados pelo imperialismo assassinando o ditador deposto, Muamar Kaddafi, diante das cameras de celulares que logo foram transmitidas pela televisão. E onde fica a justiça? Ao menos Saddam Hussein foi executado após ser julgado por um tribunal, enquanto Kaddafi sofreu um linchamento como se fosse um boneco de Judas, em um ato de pura barbárie. Os imperialistas, que já haviam assassinado Osama Bin Laden, aplaudiram mais esse assassinato.
O capitalismo é perverso por natureza, busca exclusivamente o lucro para as classes dominantes, promovendo guerras, fome, miséria e todo tipo de atrocidades. Não podemos permitir que esse sistema perverso continue existindo. Ou a humanidade destroi o capitalismo, ou então será condenada a barbárie.
Socialismo ou barbárie, são as opções que restam para a humanidade. O socialismo não só é possível, como é necessário e urgente. Um socialismo renovado, radicalmente democrático e comprometido com a luta pela preservação do meio ambiente.
"... podemos citar alguns dados com suas respectivas fontes recentemente sistematizados pelo Programa Internacional de Estudos Comparativos sobre a Pobreza localizado na Universidade de Bergen, Noruega, que fez um grande esforço para, desde uma perspectiva crítica, combater o discurso oficial sobre a pobreza elaborado desde mais de trinta anos pelo Banco Mundial e reproduzido incansavelmente pelos meios de comunicação, autoridades governamentais, acadêmicos e "especialistas" variados.
População mundial: 6,8 bilhões de habitantes em 2009.
1,02 bilhão de pessoas são desnutridos crônicos (FAO,2009);
2 bilhões de pessoas não tem acesso a medicamentos (www.fic.nih.gov);
884 milhões de pessoas não têm acesso à água potável (OMS/UNICEF 2008);
925 milhões de pessoas são "sem teto" ou residem em moradias precárias (ONU Habitat 2003);
1,6 bilhões de pessoas não tem acesso à energia elétrica (ONU Habitat, Urban Energy);
2,5 bilhões de pessoas não são beneficiados por sistemas de saneamento, drenagens ou privadas domiciliares (OMS/UNICEF 2008);
774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.unesco.org );
18 milhões de mortes por ano devido pobreza, a maioria de crianças menores do que cinco anos de idade (OMS);
218 milhões de crianças entre 5 e 17 anos de idade, trabalham em condições de escravidão com tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados da ativa atuando em guerras e/ou conflitos civis, na prostituição infantil, como serventes, em trabalhos insalubres na agricultura, na construção civil ou industria têxtil (OIT: "La eliminación Del trabajo infantil, un objetivo a nuestro alcance" - 2006);
Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação no produto interno bruto mundial (PIB mundial) de 1,16% para 0,92%; enquanto os opulentos 10% mais ricos acrescentaram fortunas em seus bens pessoais passando a dispor de 64% para 71,1% da riqueza mundial. O enriquecimento de uns poucos tem como seu reverso o empobrecimento de muitos;
Somente esses 6,4% de aumento da riqueza dos mais ricos seriam suficientes para duplicar a renda de 70% da população mundial, salvando muitas vidas e reduzindo os sofrimentos dos mais pobres. Entendam bem: tal coisa somente seria obtida se houvesse possibilidade de redistribuir o enriquecimento adicional produzido entre 1988 e 2002 dos 10% mais ricos da população mundial, deixando ainda intactas suas exorbitantes fortunas. Mas nem isso passa a ser aceitável pelas classes dominantes do capitalismo mundial.
CONCLUSÃO
Não se pode combater a pobreza (nem erradicá-la) adotando-se medidas capitalistas. Isso porque o sistema obedece a uma lógica implacável centrada na obtenção do lucro, o que concentra a riqueza e aumenta incessantemente a pobreza e as desigualdades sócio-econômicas a nível mundial.
Depois de cinco séculos de existência é isto e somente isto que o capitalismo tem para oferecer ao mundo! Que esperamos então para mudar o sistema? Se a humanidade tem futuro, esse será claramente socialista! Com o capitalismo, não haverá futuro para ninguém! Nem para os ricos, nem para os pobres! A sentença de Friedrich Engels e também de Rosa Luxemburg: "socialismo ou barbárie" é hoje mais atual do que nunca. Nenhuma sociedade sobrevive quando seu impulso vital reside na busca incessante do lucro e seu motor é a ganância, a usura. Mas cedo ou mais tarde provocará a desintegração da vida social, a destruição do meio ambiente, a decadência política e a crise moral. Todavia estamos ainda em tempo para reverter esse quadro - então vamos à luta!"
(Atilio Borón; em "Saiba o que é o capitalismo")
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